O ministro da Defesa, José Múcio, expressou sua desaprovação em relação à recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Durante uma cerimônia na Suécia, onde foi apresentado o primeiro Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB), Múcio afirmou que essa designação é uma “intromissão” nas questões internas do Brasil.

defesa: cenário e impactos

“Estou falando como cidadão, eu gostaria de que, dos nossos bandidos, nós cuidássemos”, declarou Múcio ao ser questionado sobre a decisão dos EUA. A nova medida, que considera o PCC e o CV como grupos terroristas com atuação em solo americano, foi anunciada pelo governo de Donald Trump.

Na sequência da decisão americana, o governo brasileiro emitiu uma nota reafirmando que a “soberania nacional é inegociável”. O Planalto enfatizou que o terror causado por essas organizações não deve ser confundido com ações motivadas por ideologias ou políticas, como ocorre no terrorismo internacional.

Intromissão e Soberania Nacional

Durante o evento na Suécia, Múcio reiterou a posição do governo brasileiro, afirmando que a intervenção externa é indesejada. “Acho uma intromissão o vizinho se meter nos problemas da minha casa. Precisamos achar caminhos para resolver, precisamos enfrentar o crime organizado, que tem crescido muito no Brasil, mas isso deve ser feito internamente”, disse o ministro.

Além disso, Múcio qualificou as medidas americanas como “instáveis” e comentou sobre a tarifa de 25% proposta pelos EUA sobre exportações brasileiras. Ele destacou a inconsistência das políticas comerciais americanas, mencionando que a situação pode mudar rapidamente.

Tarifas e Relações Comerciais

O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, resultando na proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida, publicada recentemente, é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que visa combater práticas consideradas injustas.

A investigação foi iniciada em julho de 2025, a pedido de Trump, e concluiu que políticas brasileiras são discriminatórias e oneram o comércio dos EUA.

Gripen F: Avanços na Força Aérea Brasileira

No evento em Linköping, Múcio participou da apresentação do primeiro Gripen F, uma aeronave de combate que faz parte de um contrato firmado em 2014, prevendo a entrega de 36 unidades ao Brasil. O Gripen F é a versão biposto do Gripen E, permitindo que um instrutor acompanhe o piloto, facilitando o treinamento.

O Brasil teve um papel ativo no desenvolvimento dessa versão, recebendo transferência de tecnologia que capacitou muitos engenheiros e técnicos brasileiros. As entregas das aeronaves começaram em 2020, com 11 já recebidas pela FAB, e o primeiro Gripen F passará por testes de voo na Suécia antes da entrega final.

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