Em cartaz no Teatro Vivo, em São Paulo, a peça Inter Alia traz Drica Moraes no papel de uma juíza que enfrenta desafios intensos na maternidade. A trama gira em torno de Jessica, cuja vida desmorona após seu filho ser acusado de violência sexual, levantando questões sobre culpa, machismo e os conflitos entre a vida familiar e as obrigações profissionais.
Uma narrativa envolvente e reflexiva
Durante um ensaio aberto, o público se depara com a transição da leveza inicial para um enredo mais sombrio. A personagem Jessica, interpretada por Moraes, é uma mulher multifuncional, equilibrando sua carreira e responsabilidades familiares. O espetáculo começa de forma divertida, mas rapidamente se transforma em uma reflexão profunda sobre as pressões da maternidade e as expectativas sociais.
O papel da mulher na sociedade e no direito
A peça, escrita pela dramaturga australiana Suzie Miller, explora o universo jurídico e feminista, semelhante à sua outra obra de sucesso, Prima Facie. Moraes, que é mãe de um adolescente, reflete sobre as incertezas da maternidade e a falta de respostas diante das dificuldades enfrentadas. A narrativa destaca como as leis, muitas vezes, não protegem as mulheres, mesmo quando não são diretamente vítimas de violência.
Conflitos éticos e a culpa materna
A segunda metade do espetáculo é marcada pela reviravolta na vida de Jessica, que se vê em um dilema moral ao lidar com as consequências das ações do filho. O diretor Rodrigo Portella optou por uma montagem não linear, utilizando flashbacks para mostrar a evolução da relação entre mãe e filho, e como a culpa materna permeia essa dinâmica.
Reflexões sobre masculinidade e paternidade
O elenco, que inclui Caco Ciocler e Caio Cesar Passos, também traz à tona a perspectiva masculina. Ciocler, que interpreta o marido de Jessica, se sensibiliza com as dificuldades enfrentadas pela mulher e reflete sobre seu papel como pai. Passos, por sua vez, aborda a pressão que jovens homens enfrentam em um mundo que ainda valoriza a masculinidade tradicional.
Um chamado à reflexão social
Além da performance, o programa da peça inclui um guia para promover relações mais humanas, abordando temas como violência sexual e masculinidades. O título Inter Alia significa “entre outras coisas”, sugerindo que há mais a ser considerado em cada situação. A peça convida o público a refletir sobre as complexidades das relações familiares e a necessidade de romper ciclos de violência.
A peça Inter Alia está em cartaz até 20 de setembro, com sessões às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 18h, no Teatro Vivo, em São Paulo. Os ingressos variam de R$ 50 a R$ 200 e a classificação é para maiores de 12 anos.