Treinamento capacita profissionais da educação para agir em emergências
Um engasgo durante o lanche, uma queda durante uma brincadeira ou até uma parada cardiorrespiratória podem ocorrer de forma inesperada nas escolas. Para lidar com essas situações, o SAMU 192 Belém, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semec), realiza capacitações em primeiros socorros para profissionais da rede municipal de ensino. Essa formação é crucial para que os educadores saibam identificar emergências e prestar os primeiros cuidados até a chegada da equipe especializada.
A iniciativa está alinhada à Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, que exige a capacitação em primeiros socorros para profissionais de instituições de ensino. Essa legislação foi criada após a morte de Lucas Begalli, uma criança que se engasgou durante uma excursão escolar e não sobreviveu.
Em Belém, o treinamento inclui atividades teóricas e práticas, abordando situações como engasgos, desmaios e convulsões, preparando os educadores para agir rapidamente em momentos críticos.
Reconhecimento de emergências é fundamental
Identificar a gravidade de uma situação de emergência é um dos maiores desafios. O treinamento não se limita a ensinar técnicas, mas também orienta os profissionais sobre como reconhecer uma emergência e quais providências tomar. John do Vale, coordenador do SAMU 192 Belém, enfatiza a importância dessa percepção para iniciar o atendimento de forma adequada. “O profissional deve saber identificar o que é grave e prestar o primeiro socorro imediato”, afirmou.
Até agora, a parceria entre o SAMU e a Semec já alcançou mais de 40 escolas e capacitou mais de 800 profissionais, garantindo que mais educadores estejam preparados para agir em situações de risco.
Os primeiros minutos são cruciais
Nos primeiros minutos de uma emergência, a rapidez na ação pode ser decisiva. Enquanto a equipe especializada se desloca, é vital que as pessoas próximas à vítima iniciem os primeiros cuidados. A enfermeira Lilianna Fróes, do Núcleo de Educação Permanente do SAMU 192, destaca que os participantes aprendem a reconhecer a emergência e a realizar procedimentos que podem ser necessários antes da chegada do socorro. “Identificar a emergência e saber prestar os primeiros cuidados, como reanimação cardiopulmonar, pode salvar vidas”, ressaltou.
Além disso, os educadores aprendem o que não fazer em situações de desespero, evitando procedimentos inadequados que possam agravar o estado da vítima.
Experiência prática faz a diferença
Para educadores, o treinamento é uma oportunidade de rever conhecimentos e práticas. Edir Moraes, professor da Escola Florestan Fernandes, relata que a formação o ajudou a perceber que algumas condutas anteriores não eram as mais adequadas. “Com as formações sobre a Lei Lucas, conseguimos perceber o quanto, às vezes, agimos de forma incorreta”, disse Edir.
O objetivo da capacitação não é transformar educadores em profissionais de saúde, mas capacitá-los para reconhecer situações de risco e agir corretamente até a chegada do atendimento especializado.
Importância da preparação com crianças pequenas
Em escolas que atendem crianças pequenas, a atenção deve ser redobrada. A diretora da Escola do Mundo Encantado, Jacirema de Souza, enfatiza que a equipe deve estar preparada para agir rapidamente. “É de extrema importância saber como agir no momento certo”, afirmou.
Jacirema compartilha uma experiência familiar em que a falta de conhecimento levou a decisões precipitadas em uma emergência. Isso mostra que o aprendizado adquirido pode ser compartilhado além do ambiente escolar, ampliando a rede de pessoas preparadas para agir em emergências.
Educação como parte da atuação do SAMU
O SAMU não apenas atende ocorrências, mas também desenvolve ações de orientação e preparação da população. A capacitação de profissionais da educação é uma extensão desse trabalho, levando conhecimentos básicos de primeiros socorros para dentro das escolas. John do Vale destaca que ensinar a população a reconhecer emergências e agir corretamente é uma responsabilidade social do serviço. “Nosso papel social é levar conhecimento para que as pessoas saibam como agir diante de uma emergência”, concluiu.
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